Você sabe a importância do planejamento estratégico na vida empreendedora? Nesse texto a Claudia Bárros vai nos guiar por esse entendimento de uma maneira profunda e essencial. 

_____________________________________

“Planejamento Estratégico” por Cláudia Bárros – Geometria do SER

Bela palavra não? Por muito tempo vi este lugar como sendo algo bastante distante do meu mundo. Talvez porque das primeiras vezes que escutei falar do assunto eu fosse uma estudante de engenharia trabalhando no chão de fábrica, talvez porque idealizasse algo que não fazia parte do meu mundo naquele momento, talvez porque me parecesse tão mágico trabalhar com aquilo, talvez, talvez, talvez…

Hoje, talvez, depois de uma longa jornada pelos chãos de fábrica, pelas fábricas, pelos escritórios e pelos próprios planos estratégicos – afinal foram quase 25 anos vivendo o mundo corporativo – vejo que a ideia de planejamento estratégico vai além do que escutei sobre o assunto, ou talvez do que facilitei sobre o assunto. Sim, eu cheguei lá. Fui responsável pelo planejamento estratégico e muitas vezes por seu desdobramento. E não há nada de mágico nisso. Há sim um grande movimento que precisa acontecer para que ao final tenhamos algo a que chamar de planejamento estratégico. Mas, Cláudia então o que seria o tal do planejamento estratégico.

Além de ser uma área dentro da maioria das grandes organizações é também um assunto que muito diz sobre passado, presente e futuro da empresa, eu diria que diz sobre a vida da empresa, afinal nele se espelham os movimentos do passado, os resultados do presente e as expectativas do futuro. Mas, como isso tudo pode caber dentro do planejamento estratégico? você deve estar pensando… E cabe, o processo de se elaborar um planejamento estratégico passa por alguns movimentos. O primeiro deles é um olhar para o passado. Faz-se geralmente uma grande análise do que aconteceu, do que valeu a pena, das forças, das fraquezas – muitos se utilizam da Matriz FOFA ou SWOT – já juntando um olhar para o que está acontecendo agora, no presente quando completamos o quadrante das oportunidades e das ameaças. Aqui há quem diga que já estamos olhando para o futuro pois já falamos de oportunidades, porém há certa divergência de opinião uma vez que estamos olhando a oportunidade no exato momento em que fazemos a análise então… pode ser que quando passamos ao movimento seguinte, a oportunidade nem exista mais no futuro.

Um segundo movimento é de criação de cenários. Aqui precisamos levar em conta alguns itens que podem ser revistos dentro do processo de planejamento estratégico, são eles: missão, visão e valores. E aqui vale a máxima do filme de Alice no país das maravilhas: “Se você não sabe para onde, ir qualquer caminho serve.” Neste ponto é onde se define o tal do objetivo estratégico e suas metas, e pode ser um objetivo e uma meta ou podem ser vários que serão utilizados para definir cenários e depois definir o caminho. Dentro das organizações – pelo menos nas que trabalhei como Canon, HP, EDS, FNQ – geralmente os objetivos e metas acabavam sendo divididos em processos, porque são os processos que fazem a ligação das funções de cada área ou departamento. E cada processo acaba tenho depois um desdobramento, que pode ser um projeto ou uma atividade “on-going” – que são as atividades rotineiras. E estas atividades são monitoradas para que o objetivo e as metas estratégicas definidas sejam atingidas.

Em 2016 deixei o mundo corporativo e passei a fazer parte de um outro mundo, o mundo do empreendedorismo. E já neste mundo vejo que quando falamos de planejamento estratégico estamos muito mais próximos do que podemos dizer simplesmente planejamento. Afinal a estratégia está no dia a dia, em lidar com todo o movimento necessário que nossos negócios nos demandam a cada novo produto ou serviço ou a cada nova venda.

Tenho sentido nos meus movimentos que a rotina de recalcular rotas é quase que um processo de elaboração de planejamento estratégico e é isso que fazemos a cada novo evento que nos ocorre. Não estou dizendo que não seja preciso definir um objetivo e uma meta estratégica, mas aqui no empreendedorismo é preciso ter algo que dentro das grandes organizações costuma ser também um plano e em algumas até mesmo um departamento – a contingência – e ela muitas vezes é o nosso próprio plano.

Se eu posso dizer algo sobre planejamento estratégico dentro deste mundo do empreendedorismo é que devemos sim usar as boas práticas para definir nossos objetivos, nossas metas, nossos processos, seus controles e indicadores, monitorar nossas entregas, mas muito mais que isso é preciso ser o próprio plano, tendo muito claro qual é nossa missão, nossa visão e nossos valores, porque em alguns momentos da execução o que vai sustentar nosso negócio não é o plano e nem a contingência, é a coragem para defender estes três pilares e seguir se movimentando.

Porque ao final a vida é movimento e empreender é colocar o EU em movimento.

Gratidão por este espaço. Espaço onde partes da Geometria do Ser que sou pode compartilhar com a Geometria desta comunidade.

Sobre Cláudia Bárros