Essa é a primeira de cinco histórias que quero te contar. Essas histórias têm algo em comum. Além de serem sobre empreendedores, nasceram de um mesmo lugar, um lugar que reina o silêncio, que prevalece a sensação de “não posso contar isso aos outros”, talvez por um pouco de vergonha, talvez por um pouco de vontade que fosse diferente. São histórias que para mim, que espectadora delas, parecem mais fáceis de serem contadas em terceira pessoa. Ao mesmo tempo histórias que me lembram partes de mim mesma, portanto, me reconheço em todas elas em alguma medida. Histórias de mulheres, mulheres que conheço bem porque são extensões de mim mesma, mulheres com seus sonhos de empreender e realizar seus sonhos graças a isso.

A primeira história é da Ana. Uma Ana em seus 30 e poucos anos, cabelos bem cuidados, pelo menos no dia em que consegue tempo e pode secá-los no secador. Uma Ana que naquele momento sonhava com o dia que iria viver só do seu negócio. Um sonho que parecia um tanto distante, um tanto fora dos seus planos reais para aquele momento. Essa é uma história que ouvi há uns 3 anos e ela ficou guardada por esses anos porque esperava um momento para nascer. E o momento do nascer foi sendo providenciado pela vida, quando eu fui recebendo, de outras Anas que nem eram Ana, a mesma história só que em outros contextos.

Vou te contar. Ana sonhava em ser empreendedora do seu negócio. Sonhava em um dia acordar na segunda-feira e sair feliz da vida em direção a um projeto que poderia chamar de seu, que poderia refletir seus valores, sua forma de pensar, que poderia respeitar seus tempos, e além de tudo isso, seria sua principal fonte de renda. E então Ana comprava um lindo e maravilhoso Moleskin. Não porque não tinha nenhum, mas porque aquele era diferente. Aquele teria os planos definitivos para sua realização. E então escrevia, escrevia, escrevia… mil planos, mil criações, mil ideias incríveis e geniais, mil projetos dos mais inspiradores. Escrevia. Escrevia. Escrevia.

Aqui há um silêncio. Há um abismo na história. Um abismo que podia ser sentido, principalmente, pelo estômago da Ana.

Ver planos ganharem vida no papel e não ganharem vida para além dele dói em algum lugar. Um lugar que só a Ana podia compreender.

Até aí, era o estômago quem compartilhava da dor.

E poderia ter ficado por aí. Mas não ficou.

A história ganha continuação quando a Ana resolve passar um tempo em seu feed de notícias do facebook.

E lá vê ela… sua amiga de colégio. E ela tem um novo projeto no ar.

Ana clica para ler os detalhes, tudo parece fazer sentido, mas nem tanto sentido assim.

O tempo passa, e lá está sua amiga de colégio… mais um projeto, mais pessoas envolvidas e um negócio a pleno vapor.

Ana se revira por dentro. “Como assim esse projeto está dando certo? Minhas ideias são tão melhores, meus planos são tão mais incríveis. Isso tudo que ela faz é tão básico e virou esse negócio desse tamanho”.

E aqui está um clímax dessa história, aqui está um pensamento que nem sequer com o estômago Ana sentiu ser possível compartilhar, aqui mora a sensação de “não-posso-contar-isso-para-ninguém”… O pensamento de achar tão “menos” o que o outro tem a oferecer perto do que você tem a oferecer.

Inveja. Olho gordo. Vaidade. Prepotência. Qualquer coisa assim viria logo com um carimbo se em suas conversas e desabafos Ana revelasse o que sente sobre a tal amiga. Mas o pensamento não a deixava em paz. “É muito ruim, como pode fazer tanto sucesso?

Entre risos e choros, entre lembranças de família e planos para o negócio, eu pude ouvir essa história da Ana.

Pude vê-la se encolher enquanto me contava o que sentia. Pude ver em seus olhos o quanto sentia vergonha por pensar o que pensou, por se comparar, por ver a amiga como tão pior que ela e achar tão injusto que houvesse tanto sucesso ali. E então foi preciso chorar. Vi a Ana e seus cabelos não tão arrumados naquele dia de chuva encolhidos, chorando por tantos motivos.

Havia uma dor tão grande dentro dela. Uma dor de saber que a comparação não era justa, que a comparação não era bem-vinda, que a comparação não tinha cabimento. Que sim, a amiga tinha agido, feito, saído da inércia, a amiga, mesmo com seu projeto não tão brilhante assim, se lançou no mundo.

Mas não eram dessas ponderações que a Ana estava precisando, ela precisava de colo porque dentro dela a dor de ver o outro ir bem e ela não ir nada bem era enorme, a raiva era enorme, a frustração era enorme, a irritação dera enorme, a inquietação de enxergar um conteúdo tão menos que o seu era enorme. O que passava pela Ana eram todas essas emoções. E se faziam bem ou mal, se havia um certo ou um errado, não interessa aqui, porque eram essas as emoções que passavam. E a Ana chorou falando sobre cada uma delas, um choro como de uma criança.

Aquele foi um momento marcante. Não falamos mais nada. A sessão de mentoria terminou com um abraço, o silêncio era tudo o que precisávamos para aquele momento. E foi mágico o que vi acontecer depois dali, o revelar-se faz mesmo mágicas. Vi uma Ana crescer, uma Ana que se preencheu de força, de coragem, de um brilho no olho para ir em direção ao que ela sonhava, para fazer o que precisava ser feito. Vi uma Ana sair do lugar de espectadora para o lugar de palco.

Hoje essa é a história que eu queria te contar. Uma história humana, uma humana que sonha em empreender, mas que vive internamente não só de planos, metas, razões, uma humana que vive de emoções. E quando vamos empreender, vamos inteiros, exatamente o que somos e sentimos. E hoje, eu, você, a chuva lá fora, e esse café, me fazem lembrar que a vida mesmo está nesse lugar em que quanto mais humanos somos, mais coisas incríveis há.

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Durante 5 dias, 5 histórias empreendedores, 5 histórias bem humanas, 5 histórias que eu quero te contar.

E um convite: dia 13 de março tem aula gratuita para você em seu email sobre as 4 estações por onde o COMEÇAR A EMPREENDER passa, as dificuldades e dúvidas enfrentadas nesse caminho e um horizonte de coragem e realização. Para se cadastrar, clique aqui.