Esse é um texto que nasce de um post que fiz. Um post público que ganhou lugar nas minhas redes e que curiosamente trouxe mais comentários em mensagem privada que em comentários públicos.

Aqui o conteúdo do meu post. Sinta daí cada uma das palavras para que possa, junto comigo, acompanhar a profundidade que há nos comentários que recebi.

CIRCULAÇÃO. Eu estava ali entre a folha em branco e o lápis que pedia para ganhar vida no papel. Eu estava ali entre o mundo que me habita e toda a riqueza que há nele e as cobranças que vêm do mundo de fora. E então uma voz mais forte que o vai e vem dos entres foi clara e precisa. “Paula, coloque para circular. Simplesmente coloque para circular.” Algo em mim se rende, essa parte que teima em guardar a riqueza como se a entrega fosse me colocar em risco. Há rendição em mim depois dessa mesma voz interna ter se revelado de tantas formas, em tantos lugares, pessoas, contextos diferentes. Vamos colocar para circular. Se há um tema em minha vida para 2019 é esse: circulação. Vamos. 🙏✨ // vamos juntos aos mundos profundos, Por Paula Quintão.

Esse post traduz um estímulo que tem permeado todo o meu ser, o de colocar a serviço do outro o que tenho de bagagem dentro de mim. Riquezas que carrego e que vez o outra ficam guardadas em silêncio. Me parecia uma postagem comum.

Só que o que me surpreendeu foi que eu comecei a receber no direct do instagram, onde postei pela primeira vez o texto, bem mais comentários privados que comentários públicos. Muitas pessoas desabafando sobre sua incapacidade de expressão, sua dificuldade de criar seus próprios serviços, seu medo de entregar o que sabe e ser julgada como “quem você pensa que é?”.

São medos que eu já conheço, porque eles fazem parte do imaginário de qualquer empreendedor. São medos que fazem parte do discurso mental que criamos diante do nosso negócio. O que me surpreendeu foi a quantidade de pessoas que respondeu dessa forma ao meu post. E mais interessante: no privado.

Toda essa cena mostra que estamos vivendo um momento de transição do que é EXPRESSÃO e de como o nosso servir no mundo acontece. Hoje o que não nos falta é lugar para compartilhar o que sabemos. Se os últimos séculos foram de muita conexão com o abastecer, com a academia, com o abastecer, o momento atual que vivemos é o de colocar no mundo o que temos de bagagem. É pegar todo esse conhecimento que acumulamos e ENTREGAR ao outro, preferencialmente de maneira organizada em forma de serviços e produtos.

E se hoje há uma angústia, a angústia é de perceber que os espaços para compartilhar são livres, são ilimitados – podemos assim dizer -, são gratuitos. Veja o linkedin. Veja o instagram. Você pode fazer seus stories, pode postar seus artigos. E há pessoas sedentas por um bom conteúdo. Só que ao mesmo tempo em que o mundo se abre com as portas abertas para você, você precisa saltar. Você precisa fazer a ação da entrega, da criação, de colocar sua cara a tapa. E aí você tem medo.

Parece muito com a vivência que tive durante meu curso de paraquedismo. Aquela porta imensa, aberta, livre, o mundo lá fora totalmente disponível pra mim, o voo permitido nas asas bem testadas e seguras do paraquedas. E eu com medo. E eu travada. E eu com o coração acelerado. E eu tremendo. Até que quando eu passava pela porta eu só sentia êxtase, eu sentia liberdade, eu sentia o vento no rosto enquanto a queda era livre e me alegrava pela existência me proporcionar aquele momento.

É tempo de reunir as bagagens que há em nós. Organizar em forma de serviço que se torna também valioso ao outro. E se colocar a produzir, a criar, a entregar, a PERMITIR QUE CIRCULE.

É com esse chamado interno que também eu começo meu ano. Já escrevo muito, já produzo muito. Mas só eu sei o quanto ainda há riquezas dentro de mim que merecem circular.

Paula Quintão. 14 de janeiro de 2018.

 

Use what talents you possess; the woods would be very silent if no birds sang there except those that sang best. // Use os talentos que você possui; a floresta seria muito silenciosa se nenhum pássaro cantasse lá, exceto aqueles que cantavam melhor. (Henry van Dyke)