Texto produzido como material para o Clube dos Impulsionadorese 2015, por Paula Quintão

Hoje a noite se faz aqui em Paris e de um quarto padrão Ibis eu produzo o nosso material da semana. Foi nosso primeiro dia na cidade e imagine quantos novos olhares e sentimentos não estiveram bem despertos.

Foi um domingo de estreia em Paris em que eu e Clara vimos bem diante de nossos olhos a Torre Eiffel pela primeira vez. Aquela Torre tem algo de muito simbólico e é sobre ela que falarei hoje. Sobre a Torre e sobre a nossa coragem para empreender.

A Torre é um símbolo não só da França, mas de como o ser humano é capaz de criar obras muito lindas que mexem com nossa emoção pelo olhar. A sua presença imponente e estonteante é sentida de todas as partes de Paris.

Mas aqui não quero falar da beleza da Torre… essa todos nós já nos demos conta. Quero falar sobre o Gustave Eiffel, o criador do projeto da Torre. Ele é a nossa estrela da vez. Hoje vamos fazer o exercício de nos imaginar na pele de Gustave, principalmente após o episódio de ver nos principais jornais do país tantas críticas à sua ideia.

O governo Francês declarou que haveria um concurso para escolha de um novo monumento para marcar a inauguração da Exposição Universal em 1889 – uma comemoração aos 100 anos de Revolução Francesa. Um concurso assim não acontece todo dia.

E lá foram mais de 100 designers concorrer com seus projetos. Entre eles estava Gustave Eiffel, que era chefe de uma incorporadora (e não sei bem o que isso significa), mas naquela ocasião ele tinha à sua disposição engenheiros e arquitetos e pode configurar, com determinação, o que seria o projeto da Torre.
Concorreu. E ganhou.

Antes mesmo das obras começarem, a repercusão nos jornais era imensa. Encontrei essa transcrição de um jornal da época.

Mas antes…..

Antes de lermos o que havia no jornal imagine você na mesma pele de Gustave. Feliz porque ganhou o concurso. Ansioso com o que viria pela frente.
Esqueça o que existe hoje, pense em você ganhando o concurso e depois que seu projeto é anunciando muitos e muitos comentários começam a ser publicados e entre eles, numa manhã de domingo, lendo o seu jornal, lá está o que falam sobre a Torre…

Jornal Le Temps: “Nós, escritores, pintores, escultores, arquitetos e amantes da até agora intacta Paris, protestamos contra a força criativa mercantil de um engenheiro mecânico que quer tornar esta cidade irrevogavelmente feia. Imaginem esta ridícula torre, que mais parece uma chaminé de fábrica. Ela vai humilhar todos os nossos monumentos. Durante 20 anos, seremos obrigados a ver a sombra desta coluna de ferro como uma mancha de tinta sobre toda a cidade”.

Consegue imaginar como seria triste abrir hoje o Jornal O Globo ou a Folha de São Paulo, ou mesmo um grande portal online de notícias, e ver que o seu trabalho de empreendedor que finalmente ganhou um grande concurso, é tratado com esse tom por outros artistas ou empreendedores do segmento?

Receber críticas é um dos desafios mais poderosos que nós, empreendedores, podemos passar.

As críticas podem vir de muitos lugares: nossa família, nossos amigos, nossos colegas de trabalho, nossos filhos, nossos pares de profissão e área de atuação…

Sim. As críticas podem ser muito duras e podem ser grandes banhos de água fria em nossa direção.
Naquele momento da história, Gustave teve que enfrentar duras e poderosas críticas. Hoje nós lançamos suspiros profundos diante da Torre Eiffel, mas naquele momento ele lidou com muitos e muitos narizes torcidos em sua direção.

A Torre nada mais é que uma consequência do espírito empreendedor de Eiffel, de sua coragem de fazer os enfrentamentos e aguentar as consequências do seu plantio.

Ouvindo ou não os elogios e aplausos, Gustave fez o que acreditava ser o melhor e deixou um belo legado para todos nós: não só a Torre, mas também o projeto da Estátua da Liberdade, projetos em Portugal, no Brasil, na Espanha e no Chile.

Vamos agora a nós, à nossa jornada empreendedora, à semana e ao ano que nos aguarda.

Quais as grandes torres poderíamos estar construindo agora e não estamos por medo de críticas?
O que estamos adiando fazer por medo de errar ou medo de não ficar tão bom assim?
E se a Torre Eiffel também não fosse construída exatamente pelos mesmos medos que nós temos?

Que seja uma semana de muita construção e muito foco para todos nós. Volte a olhar sua lista de propósitos, cada um dos objetivos que você tem para esse ano. O que pode ser feito essa semana para que seus projetos caminhem?

Um grande abraço e vamos em frente.

Paula Quintão.