Saltar de paraquedas, escalar uma montanha, nadar com tubarões, domar leões ou enfrentar dragões. Por muito tempo, acreditei que esse era o tipo de coisa que pessoas corajosas faziam. O que, automaticamente, me excluía de tal categoria.

Esse foi o retrato da coragem que aprendi com os livros e os filmes na minha infância. Por sorte, fui conhecendo outras histórias e pude enxergar que essa era apenas uma das faces da coragem. Entendi que a coragem não exige grandes atos heróicos, ela pode estar nos pequenos gestos, que ser corajoso não é o oposto de ser destemido, pelo menos, não no sentido de não sentirmos medo. Ser corajoso é agir apesar desse medo.

Diante dessa nova visão, me vieram algumas perguntas: se a coragem pode estar em qualquer lugar, será possível medir ou comparar um ato corajoso? O que exige mais coragem: saltar de paraquedas ou contar a sua história para o mundo? Domar leões ou lançar um produto criativo? Nadar com tubarões ou declarar seu amor para alguém?

Isso me fez pensar em alguns exemplos. Eu tenho um amigo que escala uma montanha com muita tranquilidade e atenção, sem sentir praticamente medo nessa jornada. Agora, experimente, convidá-lo para falar em cima de um palco e veja-o tremer nas bases. Já para uma outra amiga, fazer uma palestra para 200 pessoas é algo totalmente leve. Enquanto, saltar de bungee jump exigiria doses homéricas de coragem. Quem seria mais corajoso: o meu amigo escalando a montanha ou a amiga fazendo uma palestra? E se ele subisse ao palco e ela saltasse de bungee jump?

Afinal, seria ou não possível comparar um ato de coragem? A resposta é não e sim. Não, porque, por mais que o exercício da empatia seja poderoso, nunca podemos de fato estar na pele de outra pessoa para analisar de forma neutra e justa o quanto de energia corajosa foi demandada em cada caso. E sim, porque podemos, internamente, comparar os nossos próprios atos corajosos. Na certa, subir ao palco exigiria mais coragem que escalar uma montanha para o meu amigo.

A verdade é que a medida para a coragem é algo bem pessoal. Ela está intimamente relacionada aos desafios que cada um de nós carrega. A sua coragem é proporcional ao tamanho do seu medo. Ser corajoso tem a ver com enfrentar e expandir os seus próprios limites. Lembra daquela frase: cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é, nesse caso seria: cada um sabe os medos e a coragem que carrega no peito.

Todos nós temos um corajômetro interno. Ele pode até não ser muito preciso, mas te garanto que ele pode ser bastante precioso. Quando algo nos demanda muita coragem e, ao mesmo tempo, nos faz vibrar positivamente, podemos estar diante de um caminho que fale ao nosso coração. Quanto maior for o medo diante de um novo projeto, maiores são as chances dele ser importante e transformador.

Pra te mostrar como isso funciona, te proponho um exercício. Tente recordar 3 momentos da sua vida em que você sentiu essa mistura de coragem e empolgação. Muito provavelmente esses foram pontos de virada dos quais você se orgulha muito.

Pra mim, um desses momentos foi quando eu, que tinha pavor de me expor e de conhecer estranhos, decidi ir morar do outro lado do mundo, na Malásia. Essa decisão veio depois de duas experiências intensas de perda que me fizeram questionar escolhas e abrir mão de um emprego que não me motivava mais. Nesse período, vivi dois movimentos internos aparentemente antagônicos: o de me libertar para ser quem eu sou e o de não me prender ao que eu acreditava ser. Me explico melhor, primeiro, entendi que a vida era muito curta para dar tanto peso aos que os outros pensavam de mim. E, segundo, percebi que não precisava ficar presa aos rótulos que eu criei pra mim mesma. Eu, que já me achei uma pessoa extremamente tímida, medrosa e perfeccionista, decidi que eu poderia fazer diferente, que poderia agir com mais leveza e autenticidade. E enfrentando os meus medos, eu colecionei algumas medalhinhas de coragem.

Em meio a esse processo de transformação, eu também fortaleci o meu lado criativo. Quanto mais eu me conhecia e me permitia experimentar, mais livre se tornava a minha criação. Voltei a escrever de forma autoral, comecei a fazer projetos de artesanato e artes. Finalmente, eu entendi que sem coragem, não existe criatividade. Todo ato criativo vem acompanhado do medo porque ele carrega consigo a incerteza da novidade.

A coragem também me apresentou uma nova face minha: a Dani empreendedora. Eu, que nunca pensei em empreender, criei meu próprio negócio, a Waau, onde desenvolvo oficinas, produtos e conteúdos para trazer mais criatividade e encantamento para a vida das pessoas.

Tenho que te falar empreender o meu próprio caminho exige doses diárias de coragem. Coragem para me expor. Coragem para correr riscos. Coragem para olhar pra dentro. Coragem para reconhecer as minhas fraquezas. E talvez ainda mais coragem para assumir a minha luz, as minhas qualidades e o meu potencial. Conviver com os meus medos sem deixar que eles me controlem nem sempre é fácil, mas isso tem me trazido um aprendizado e uma energia revigorantes.

Certa vez, ouvi que coragem é contar a sua história com todo o seu coração. Acho que não poderia ter definição melhor para concluir esse assunto. Por isso, eu te digo: ouça a voz da sua intuição e deixe de lado os rótulos e as comparações. Só você sabe o que te toca. Só você sabe o tamanho dos seus desafios. E só você sabe o tamanho da coragem que carrega aí dentro para escrever a sua história.