A gente cresce achando que, pra tudo, existe receita. Um código de conduta. Um ‘como fazer’. Um passo-a-passo.

Em cada nova situação, buscamos quem pode nos ajudar, dizer como conseguiu, como fez. No trânsito, queremos a voz do GPS nos dizendo o que fazer. Na cozinha, um livro ou um vídeo com a receita.

E assim, nos negócios, também sempre achamos que era preciso seguirmos, todos, o mesmo método.

A real é que esse ‘tem que ser assim’ nos desconecta. Nos afasta de nós mesmos. Anula quem somos, e o que sabemos – porque, sim, todos nós sabemos! Esse ‘tem que ser assim’ faz a cabeça trabalhar muito, tentando seguir os padrões. Mas abafa a voz do coração.

Na minha jornada empreendedora, me aventurei por caminhos “seguros”. Aqueles que ‘fulano’ já tinha percorrido e tido um ótimo resultado. Segui a receita do sucesso (dos outros). E esse passo-a-passo me levou a trabalhar no automático. Só pensando, sem sentir. E me desconectou da verdade. Da MINHA verdade. Porque o certo e o errado, o verdadeiro e o falso, são só questões de um “pra quem?”. E aquela caminhada não era minha. Aquela caminhante não era eu!

E sabe quando estamos andando por um lugar escuro, com uma lanterna, que ilumina os próximos metros à frente e que, à medida em que avançamos, nos mostra o trecho além? A única forma de sabermos o trecho além é dando mais um passo. Pois bem. A lanterna que carreguei comigo foi perdendo o brilho. A bateria foi acabando. E eu fui então adentrando um trecho cada vez mais escuro, até que, por fim, não via mais nada.

Eu estava perdida.

Não sabia mais por onde ir. ‘Mas por que, se segui as instruções tão direitinho?’ – me perguntava.

A resposta demorou um pouco, mas veio. Não veio de ninguém. Veio de dentro. De repente, minha ficha caiu, e percebi que havia seguido por um caminho que não era meu. Era o caminho do sucesso de muitos, sim. Mas não era pra mim. E aí, como o raiar de um novo dia, tudo ficou claro: o que alimentava a bateria da lanterna era a alma, o desejo, o coração. Era o sentir e o pulsar. O vibrar!

Mas fazer o que os outros faziam podia ser certo pra eles, mas não pra mim. E me forçando a avançar naquele modelo, parei de vibrar. Ao escolher seguir o mapa que alguém dizia que me levaria ao pote de ouro, me vi sem rumo. Ao escolher seguir os passos dos outros, me perdi nos meus.

E cheguei a pensar que não sabia mais nada. Cheguei a pensar que empreender não era mim.  Logo eu, que sempre senti tão forte o pulsar da veia empreendedora?

Mas a resposta estava dentro de mim. Eu sempre soube! Todos nós sabemos! Eu só precisava mesmo era parar de ouvir os outros para ouvir a mim mesma. Silenciar a mente para ouvir o coração. A voz da intuição fala baixinho, quase um sussurro! E por isso muitas vezes passa despercebida, e fica abafada por todas as outras vozes externas.

Sempre me orgulhei dos meus verdadeiros amigos: poucos (conto nos dedos das mãos), mas essenciais. Porque então nos negócios seria diferente? Porque números vinham com mais força que nomes? Porque quantidade antes de qualidade? Porque uma curtida antes de um e-mail com uma história de vida?

Quando, então, me dei conta, eu soube: precisava me reconectar com a minha verdade. Resgatar a MINHA essência. Fazer o que eu acreditava: sentir, mais do que pensar. Vibrar, mais do que falar. Partilhar, mais do que ensinar! E assim seguir MINHA jornada.

Aos poucos, a vibração voltou. A luz da lanterna voltou a brilhar. E eu voltei a ver. E o que vi foi não só um caminho, mas vários! Porque existem várias formas de se fazer a mesma coisa. Vários caminhos que levam ao mesmo lugar. E cabe, a cada um, encontrar o que faz mais sentido.  Quando estamos em conexão com nossa essência, sabemos por qual caminho seguir.

Ainda não vejo muitos metros à frente. A bateria da lanterna ainda está sendo carregada. De pouco em pouco. A cada pequeno passo. A cada batida do coração. Quanto mais avanço em meu processo de cura. Mas enquanto isso, sigo. Com medo, sim. Afinal, a vida é uma eterna aventura. Mas sigo leve, livre, mais viva, e muito feliz.

E aqui dentro pulsa a certeza de que sou, sim, empreendedora. Não só do meu negócio. Mas da minha vida!