Eu era aquele tipo de criança que passava muito tempo entretida com gibis,  lápis de cor e canetinhas. Aprendi a desenhar copiando os quadrinhos. Depois passei a criar meus personagens.

Na hora de prestar o vestibular, tinha a certeza que queria sair do interior de São Paulo e morar na capital. Sentia que tinha muito mais a conhecer e viver em Sampa. O interior parecia “pequeno demais”.

Optei por fazer dois cursos acadêmicos ao mesmo tempo. Em 2003 me formei em Comunicação Social e em Design Gráfico.

Estagiava com uma designer gráfica, minha amiga até hoje. Ela tinha seu estúdio e trabalhava sozinha. Quer dizer, até eu chegar! Fiquei 5 anos com ela, aprendi muito sobre criação, projetos e sobre como ter escritório próprio, com as alegrias e as dificuldades. Foi minha primeira experiência observando de perto uma empreendedora – mas naquela época nem se usava esse termo! Era mais “freelancer”, mesmo…

Esta experiência me inspirou a montar o meu escritório. Além do exemplo de meus pais, claro. Talvez eles não se enxerguem assim, mas os dois sempre foram empreendedores em seus trabalhos, sabendo contornar as adversidades e dando soluções criativas para os problemas. Além de gostarem muito de suas profissões.

As dificuldades de ter meu próprio estúdio apareceram logo no começo: como ter meus primeiros clientes? Como faze-los acreditar no meu potencial, eu então uma moça de 20 aninhos?

Comecei fazendo projetos gráficos para conhecidos e negócios do bairro. E logo no primeiro ano, fiz meu primeiro trabalho para uma editora, pois uma amiga trabalhava lá e me indicou. Ah, as indicações, como elas são importantes na vida do empreendedor!

Esse trabalho acabou abrindo as portas para outros, e assim meu portifólio em design gráfico e ilustração foi aumentando. Assim como a experiência em atender clientes, fazer orçamentos, lidar com fornecedores…

Quase esqueço de contar da sensação boa que foi abrir a empresa legalmente, ter um CNPJ! Me senti “gente grande”, risos!

Nos anos seguintes fiz ilustrações para revistas da Editora Abril, e também pintou uma revista internacional. A fluência em inglês foi imprescindível.

Em 2009 comecei a me sentir “isolada do mundo”, trabalhando sozinha e home office. Além disso, o momento econômico estava incerto, estava com pouco trabalho. Foi aí que resolvi dar um passo novo na minha carreira: entrei em uma agência. No começo eu estava apreensiva, pois eu nunca desejei trabalhar em agência. A visão que eu tinha era que viraria a madrugada lá. Além de ter chefes. Não queria isso pra mim.

Mas tive a sorte de ter chefes excelentes e uma equipe ótima de trabalho. Foram anos de muito aprendizado e foi realmente divertido! Fiquei lá até acabar o projeto que participava, em 2012.

Como o meu propósito sempre foi fazer o meu estúdio acontecer, em 2013 eu saí do home office e fui para uma sala comercial. A sala era grande demais só pra mim! Foi aí que tive outra atitude empreendedora: estudei o modelo de negócio de coworking (escritório compartilhado) e montei o meu. Hoje, todas as vagas do coworking estão preenchidas, nossa convivência é muito legal, há troca de trabalhos, de ideias e ajuda mútua.

Sabe, qualidade de vida, pra mim, é muito importante. Eu moro em São Paulo e não dirijo. Eu sempre desejei trabalhar perto de casa, ir a pé. Pois consegui montar este coworking a um quarteirão da minha casa! Almoço em casa, faço minha comida, cuido das minhas gatas, cuido de mim… ah, esses pequenos prazeres do cotidiano…

Passei a frequentar eventos de empreendedores, especialmente os voltados para Mulheres. Fiz e faço muitos cursos, eu adoro aprender. Acho que a graduação, e mesmo a pós (já estou na minha segunda!) não bastam. Novos conceitos surgem a todo momento. E eu busco aprender aquilo que tenho vontade de saber e também aquilo que percebo ser a demanda das clientes.

Isso é muito importante: descubra o que seu cliente realmente quer. Esqueça aquilo que você acha que ele quer. Escute-o. Então busque ferramentas para conseguir atender sua necessidade.

E há o momento de “se”escutar! Algo me dizia que “faltava uma peça do quebra-cabeças”, tinha algum detalhe que estava me escapando… e foi quando em 2015 eu passei pelo processo de coaching com a Paula Quintão que aquela luzinha se ascendeu em minha cabeça e eu liguei os pontos: Eu também sou bailarina de Dança do Ventre, eu estudo essa arte há 11 anos. Por essa aproximação, amor mesmo, acabei tendo clientes neste universo. As bailarinas requisitaram meu trabalho por confiarem em mim e por saberem que eu entendo o mercado de dança.

Ué, por que não unir esses dois universos que eu amo e pelos quais eu transito com facilidade: o Empreendedorismo Feminino e a Dança do Ventre? Foi aí que surgir o meu terceiro negócio, o Endance! Um canal de informação para bailarinas, sobre marketing, gestão, empreendedorismo e identidade visual.

Das coisas que aprendi nesses 14 anos empreendendo, quero citar:

  • Ficar com rancor não leva a nada. Eu uso o que me fizeram de ruim para aprender. E não deixar que façam de novo. Claro que ficar chateada é normal… Sim, empreendedor, vão fazer coisas ruins com você. Vão sentir inveja. Somos todos  humanos. Como diz a canção, “é preciso estar atento e forte”. Cerque-se de gente do bem, e cuidado com o “olho gordo”.
  • Conte sempre com ajuda. Dos pais, dos amigos, conhecidos, de quem estiver disposto a dar uma mão amiga, uma indicação, uma dica. Pedir e receber ajuda não é demérito. Ao contrário. Vivemos em sociedade para isso. Só não se esqueça de retribuir.
  • Seja grato(a). A quem te ajuda, a quem te ensina, a quem trabalha pra você, a seus clientes, fornecedores, à sua familia e amigos, a Deus ou a que você acredita. A gratidão é um sentimento que te impulsiona e faz você ver o quanto você já cresceu, o quanto de estrada já percorreu. Valorize o caminho percorrido!
  • Se você é criativo(a) como eu pode ser que também não seja muito bom(a) com organização! Eu tive que aprender a ser organizada, para não gastar minhas horas de trabalho com muitas tarefas administrativas. Chamo isso de otimizar meu tempo. Tenho aplicativos que me ajudam a gerenciar contas, por exemplo. Ainda não amo as planilhas, mas elas são necessárias.
  • Tenha orgulho do seu propósito. Não se compare aos outros. Você acha que eu gosto de ver meus amigos, no fim do ano, curtindo seu décimo terceiro, comprando coisas que eu não posso comprar? Não gosto… mas, ao contrário deles, eu falo de boca cheia: eu adoro meu trabalho! Eu faço ele com amor. Eles já não podem dizer o mesmo, tem reclamações do chefe, da equipe, da rotina, de tudo! Mas eu te disse pra não se comparar, não foi? Rs…
  • Participe de eventos e cursos com outros empreendedores, além dos da sua área. Acho importante estar em contato com pessoas que trabalham com um propósito parecido com o meu. Pois podemos trocar problemas e soluções. Além de criar parcerias e, claro, um pode virar cliente do outro!
  • Gente, não é fácil! Mas eu não saberia viver de outra forma…
  • Se eu tenho medo? Claro que tenho! A cada novo passo, o medinho estava lá. Ainda está. Mas eu enfrento. Recuo quando preciso. Avanço mais casas em seguida. E assim vamos, no Jogo da Vida Empreendedora.