Quanto vale meu sofá? Sabe meu sofá cinza, coberto com tecido suede, nem velho nem novo… Quanto você acha que ele vale? Uns 1000 reais… 2000 reais, talvez. Uma média de 1500 reais, pode ser? Certo. Agora se eu lhe disser que eu me sentei durante dois anos nesse mesmo sofá para amamentar meu filho… Se eu disser que eu passei incontáveis noites em claro sentada nele… Se eu disser que, quando me separei, foi nele que me sentei, foi sobre ele que deixei meu peso cair completamente, sem esperança, sem rumo e chorei por horas a fio. Agora… Quanto vale esse mesmo sofá? Talvez você concorde comigo que, após saber a história dele, a gente não consegue colocar um preço fechado. Talvez você concorde, ainda, que o mundo fica diferente se observado pela ótica das histórias.

Desde que passei a encarar a paixão pelas histórias de frente (fundo e lados), eu passei também a compreender que todos nós – humanos – reconhecemos o poder da história de maneira orgânica, quase instintiva. Isso ocorre porque nosso cérebro está pronto para elas desde bem cedinho, aliás, desde que nossa civilização começou a ser formada. Contamos histórias para explicar o inexplicável, para dar sentido ao mundo meio confuso, para dar ordem ao caos. Criamos deuses, criamos hipóteses, criamos teorias. Criamos religiões com base em profetas contadores de parábolas, fábulas… Histórias. Doutrinamos, educamos, explicamos através delas… Colocamos o mundo em caixinhas, colocamos uns aos outros em caixinhas e colocamo-nos a nós mesmos em caixinhas de histórias.

As histórias são facilmente compreendidas e, mais importantemente, guardadas. Lembradas. A gente consegue nos recordar de nomes relacionados a tragédias com mais frequência do que conseguimos lembrar dados precisos com números e gráficos de eventos semelhantes reportados em anais científicos que estudam o comportamento humano. A gente tem sede de saber mais sobre as celebridades que adoramos, queremos saber quem são no dia a dia, queremos saber o que passaram, queremos saber suas histórias… O poder está na conexão.

Ouvindo histórias pessoais, acredite, a gente se lembra de que o outro ser é um humano como nós. Somos esse tipo de animal que, por vezes, se esquece de que espécie faz parte pra começo de conversa – ouvir expressões de humanidade nos faz relembrar! É como se vivêssemos no automático, correndo, fazendo a vida, criando nosso mundo… E, vez ou outra, deparamo-nos com uma história que nos tira do automatismo, pulamos do sofá e dizemos aliviados “Ufa, verdade! Bem lembrado! Somos todos humanos! Sabe o Seu Zé, da banca da esquina? Humano! Sabe o João da padaria? Você acredita se eu te disser que ele é humano também? Eu nem havia observado…”

Por isso, repito: o poder das histórias está na conexão. É uma cola social. Cola humanos uns aos outros.

Uma coisa deixa de ser somente uma coisa quando colamos sua história nela… Ou a história de quem a fez, a história do humano ali atrás – no pano de fundo. Um produto, um negócio, um curso… Nada mais é somente a coisa em si quando contamos a história por trás de cada elemento. Ao contar a história, outro humano compreende a emocionalidade ali presente, a identidade, a humanidade, o processo, o caminho, as dores, as dificuldades, as semelhanças. Como se olhássemos em um espelho, a gente olha a si mesmo na história do outro – e a gente adora se identificar. A gente adora comparar. A gente adora sentir empaticamente. Há cerca de um ano eu descobri que meu papel nesse mundo deve ser fazer com que pessoas se apaixonem por suas próprias histórias e, conscientemente, escolham compartilhá-las… Dar luz a elas em suas vivências pessoais e profissionais. Um ser nada mais é que uma soma de histórias – singulares. Um portal aberto a um mundo que só ele conhece e tem o poder de narrar.

Quanto vale um produto? Quanto vale um produto feito por um ser que respira e desagua feito rio na vida? Quanto vale um negócio criado por um ser que escolheu caminhos diversos, errou, caiu, levantou e conseguiu? Quanto vale um empreendedor e seu empreendimento?

Quer saber? Essa já é uma outra história…

Boas Vindas à esse espaço onde escreverei sobre a força das histórias para a construção de vida e dos negócios.